VERGONHOSA FARSA ELEITOREIRA
Enviado janeiro 1st, 2010
O Ministro da Cultura Juca Ferreira foi, em dezembro passado, ao congresso entregar a tão esperada reforma da lei Rouanet (que diga-se de passagem, promete desde o inicio da gestão Gil) fez festa, foto oficial etc, e PASMEM, não entregou absolutamente nada, a não ser um esboço do que será…a reforma da lei Rouanet? NÃO! Uma NOVA lei que extingue a Rouanet.
A pergunta que se faz necessária é: PORQUE? Porque a nova (e péssima) lei que o Minc quer colocar no lugar da Lei Rouanet não foi entregue de verdade ao Congresso, como havia sido noticiado? Porque Juca Ferreira se deu ao trabalho de ir ao Congresso apenas num ato simbólico? A impressão que fica é que ele não queria que o ano acabasse sem mais esse grande ato publicitário, que irá beneficiar sua provável candidatura em 2010. Não é assim que certos políticos fazem? Inauguram obras inacabadas só para ganhar a paternidade sobre as mesmas.
E MAIS…
Durante todo o processo de discussão sobre a REFORMA DA LEI ROUANET, Juca Ferreira se comprometeu públicamente em não REVOGÁ-LA, mas sim REFORMA-LA. Se comprometeu em várias ocasiões, como, no debate no auditório da Folha de São Paulo, em declarações ao Jornal O Diário do Nordeste (22/5/09), só para citar algumas. Traiu, faltou com sua palavra e fez exatamente ao contrário. VERGONHOSO!
Porque não queremos uma nova lei e sim a reforma da Lei Rouanet? Porque é uma lei que tem prazo de validade indefinido, ou seja, não tem data para acabar, é uma conquista do setor cultural. Porém, quando uma lei revoga outra, como quer o Minc, a nova lei tem que ter prazo de encerramento, ou seja, terá data certa para acabar. Num futuro breve, terá que ter um ato de prorrogação. E nós, queremos abrir mão da Rouanet e correr o risco de gestores futuros não se interessarem em prorrogar a nova lei? NÃO, NÃO QUEREMOS, e Juca Ferreira ouviu isso inúmeras vezes, mas seu autoritarismo messiânico não lhe permite ouvir, debater democraticamente.
Porque trocar o certo e permanente pelo duvidoso e temporário?
Por falar nisso é hora do MINC divulgar as contribuições da consulta pública sobre a reforma da lei Rouanet. Uma auditoria seria ótima idéia, pois o cheiro de trapaça está no ar.
Quem conhece Juca Ferreira não se engana; leiam abaixo alguns comentários feitos pelo intelectual baiano Ediney Santana, no blog ”Cultura na UTI” http://culturanauti.blogspot.com/
“Quando Gilberto Gil foi Ministro da Cultura ele nos provou que nunca deveria ter deixado os palcos. Gil acabou “entregando” o Ministério ao seu amiguinho Juca Ferreira. Juca, todos os dias, deve acender uma vela para São Gilberto Gil; ter um amigo como esse pode valer, como valeu, um cargo de ministro. Juca só era amigo da pessoa certa na hora incerta para a cultura nacional.
Sinto-me constrangido e humilhado quando vejo o Ministério da Cultura e empresas como a Petrobras financiando “artistas” os quais justamente não precisam de patrocínio público, enquanto inúmeros grupos da cultura imaterial, folclóricos ou instituições culturais sérias, que realmente necessitam de investimentos públicos, são tratados com indiferença ou a pão e água.”
“Na Secretaria da Cultura do Estado da Bahia temos a reprodução bizarra das anti-politicas públicas adotadas pelo MinC. Um secretário sem vocação para o gerenciamento público ou para as contradições que é lidar com um universo tão plural quanto o universo cultural do Estado.”
“No interior do Estado a situação não é diferente da capital. A incompetência do governo vem mascarada nos Pontos de Cultura (ideia boa, mas estupidamente gerenciada), nos intermináveis seminários ou cursos sem função nos quais os agentes do governo esbanjam prepotência e sub-cultura política; os conselhos de cultura das prefeituras não raro vivem a mercê da delinquência de prefeitos os quais não deixam passar nem as migalhas oficiais que deveriam ser totalmente investidos no fomento cultural dos municípios.”
“ Assim mata-se lentamente o fazer cultural de um povo; assim a Bahia é empurrada para um estágio primitivo de civilização no qual não há espaço para fantasia, sonhos e a sempre busca de novas utopias. Nesse governo não podemos confiar, mas na força inventiva de cada um de nós, na resistência por um lugar melhor e na luta pela nunca perda da dignidade podemos sim, nisso, ter um poderoso aliado para enfrentarmos essa mediocridade a qual tentam nos servir em prato indigesto e requentado como se fosse novidade, quando não é nada além de vandalismo político e social.”
Tags: Lei Rouanet, Política Cultural
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