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Por que o Brasil deve apresentar candidatura para a direção geral da Unesco, na eleição de 2009.

Qual a importância da UNESCO hoje?

A civilização passa por uma crise que vai exigir reorientação no seu projeto de desenvolvimento. Entre outros problemas, percebe-se: a luta cultural entre civilizações; a escassez de recursos naturais; o risco concreto do aquecimento global; o aumento na brecha de desigualdade social entre populações incluídas e populações excluídas, não importa o país onde vivam; a falta de ideologias norteadoras; a dificuldade de definir os limites na soberania de cada nação e os limites da globalização sobre elas; as conseqüências das migrações de massa; o desemprego permanente entre jovens e velhos. A alternativa não virá de revolução política, mas de um grande debate de idéias e de propostas. Neste quadro de indefinição, nenhuma outra instituição nacional ou internacional tem mais condições de ser o centro e o promotor do debate mundial sobre os rumos da civilização, do que a UNESCO.

Depois da Segunda Guerra, foram criadas dezenas de instituições internacionais na área da economia e das finanças. Elas conseguiram mudar a realidade da economia no mundo, em cada país e globalmente. Neste momento, só uma entidade com objetivos mais amplos, no nível da educação, da cultura, da ciência e da tecnologia pode ser capaz e ter a liberdade de enfrentar o desafio deste começo do século XXI. As outras estão com suas agendas presas à economia.

2.Por que o Brasil na Unesco?

O Brasil é o país que melhor representa a civilização contemporânea. Tem todas as bases positivas do mundo moderno e todos os seus problemas. Os indicadores sociais e econômicos do mundo são praticamente iguais ao do Brasil. Os demais países pertencem aqueles que quase não têm os problemas ou aqueles que quase não têm os recursos. O Brasil tem os problemas e os recursos. Além disto, é neste momento um exemplo de país com propostas para futuro, graças às políticas sociais e tecnológicas em execução, tanto no que se refere ao enfrentamento da pobreza, como a BOLSA FAMÍLIA, quanto a solução energética, o ETANOL.

É um país intermediário na disputa cultural entre “Ocidente” e “Oriente”; é latino americano e é africano; tem os pés no mundo ocidental e ao mesmo tempo conta com todo respeito junto aos povos árabes e a Israel; faz parte dos BRIC e senta junto com os países do G8.

Dificilmente o Brasil será um país de influência no mundo por meio da economia, do poder bélico, do controle de conhecimento científico e tecnológico. O poder do Brasil para influir no mundo está na capacidade de contaminar o pensamento mundial graças a sua especificidade de país intermediário, com a criatividade demonstrada nas últimas décadas, especialmente nos últimos anos.

O Brasil pode perfeitamente ser o elemento chave para a realização do diálogo que se espera para as próximas décadas.

3.Que chance o Brasil tem de chegar à Direção Geral da Unesco?

O Brasil tem toda chance de fazer o Diretor Geral da Unesco em primeiro lugar graças ao prestígio internacional que neste momento goza a equipe formada pelo Presidente Lula e seu Ministro das Relações Exteriores. Lula e Celso Amorim formam hoje a mais respeitada equipe de dirigentes de política externa. Nenhum outro país tem hoje uma dupla com a duração, a credibilidade, a presença em todos os continentes, a aceitação e o respeito. Além disto, como continuidade histórica do Itamaraty, mas sobretudo graças a estes últimos anos, o Brasil tem uma rede de embaixadas e diplomatas em todas as partes, especialmente nos países chave do Conselho Deliberativo da Unesco, que podem alavancar uma candidatura.

Isto seria um trabalho quase impossível se não coincidisse com o fato de que pela tradição o próximo Diretor Geral deverá ser da América Latina. Se o Brasil apresentar um candidato que unifique a América Latina terá toda chance, sobretudo se os árabes e europeus do leste não encontrarem candidatos de unidade, o que é muito possível.

4.Por que Cristovam Buarque?

Ao longo de anos Cristovam vem sendo identificado no Exterior como o promotor de diversas idéias relacionadas com um novo modelo de desenvolvimento, baseado na educação e no desenvolvimento sustentável. É dele a idéia da revolução pela educação, tendo o “educacionismo” como o meio para enfrentar os problemas do presente. Desde seu doutorado na França e seu tempo de funcionário do Banco Interamericano de Desenvolvimento, além de consultor de diversos bancos e organismos internacionais, entre os quais Unesco, e como Reitor da Universidade de Brasília, como presidente do Conselho da Universidade das Nações Unidas para a Paz e, atualmente, como membro do Conselho Consultivo da Unesco pela Educação, ele ficou conhecido de muitos grupos, no mundo inteiro, de alunos e dirigentes por suas idéias e propostas relacionadas com um novo modelo de desenvolvimento, baseado na educação, na ciência e na tecnologia, além da cultura, tanto como acadêmico quanto como político, como governador, ministro, senador e parlamentar do Mercosul. Ao longo dos últimos vinte anos, promoveu e participou centenas de encontros, palestras e debates em dezenas de países.

Alguns de seus livros estão traduzidos em oito países e alguns de seus artigos em um número muito maior. Além de ser um nome brasileiro reconhecido internacionalmente, dispõe hoje de uma rede de conexões em todos os continentes, em dezenas de países, com centenas de pessoas influentes.

É portanto um nome que tem um passado que justifica o lançamento de seu nome e tem uma base de reconhecimento que pode viabilizar sua eleição. É certamente um candidato natural, o que inclusive explica que seu nome tenha surgido primeiro no exterior.

  • ABAIXO-ASSINADO

    Quem iniciou esse abaixo-assinado:

    • Fernanda Montenegro
    • Bibi Ferreira
    • Beatriz Segall
    • Irene Ravache
    • Regina Duarte
    • Maitê Proença
    • Fernando Meirelles
    • Antonio Abujamra
    • Fernanda Torres
    • Nélida Piñon
    • Ivan Lins
    • João Carlos Martins
    • Cristina Saraiva
    • Xuxa Meneguel
    • Cacá Diegues
    • Francis e Olivia Hime
    • Cesar Brito
    • Gustavo Dahl
    • Gabriela Duarte
    • Denise Fraga
    • Roberto Frejat
    • Aspásia Camargo
    • Fernanda Abreu
    • Ivald Granato
    • Ivaldo Bertazzo
    • Lulu Librandi
    • Marco Antonio Raupp
    • Mayana Zatz
    • Miriam Mehler
    • Etty Fraser
    • Pedro Paulo Senna Madureira
    • Odilon Wagner
    • Persio Pisani
    • Tania Bondezan
    • Elias Andreatto
    • Yael Steiner
    • Sérgio D’Antino
    • Rui Nogueira
    • Marcelo Bertini
    • Maestro Edino Krieger
    • Paulo Goulart
    • Nicete Bruno
    • Antonio Henrique Amaral
    • Fabio Magalhães
    • Paulo Morelli
    • Deborah Cheyne
    • Adil Tiscati
    • Lucio Flavio e Angélica
    • Carmem Mello
    • Julio Linhares
    • Samuel Seibel
    • Enio Candotti
    • Dado Vila-lobos
    • Claudio Valente
    • Luciana Pegorer